ITABIRA (MG) – O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da região do Médio Piracicaba opera com um déficit financeiro de R$ 614.936,37, valor que, no início de abril deste ano, chegou a quase R$ 1 milhão. O dado foi apresentado na assembleia geral do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência do Médio Piracicaba (Cisurg), realizada na sexta-feira, dia 15 de maio de 2026, na Prefeitura de Itabira, com a presença de representantes de dezessete dos 27 municípios consorciados.

Apesar do cenário de pressão financeira, a reunião foi marcada por um tom de cooperação. Prefeitos e secretários de saúde aprovaram, por deliberação, a implantação do débito automático dos repasses municipais diretamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ou do Fundo Municipal de Saúde (FMS). A iniciativa busca minimizar os índices de inadimplência e garantir maior regularidade no custeio do serviço de urgência e emergência nos próximos meses.
“Os municípios estão unidos em busca de soluções eficazes para que possamos manter o atendimento pleno do serviço”, ressaltou a secretária executiva do Cisurg, Viviane Duarte.
A queda no déficit, de R$ 998 mil em abril para R$ 614.936,37 em maio, reflete tanto o esforço dos municípios em regularizar os pagamentos, quanto uma série de cortes operacionais implementados pelo consórcio. Entre as medidas adotadas estão a suspensão temporária de apoiadores de base, a redução de horas extras, ajustes no credenciamento médico para plantões de fim de semana, o encerramento do contrato com a empresa de comunicação e a diminuição do quadro do Núcleo de Educação Permanente (NEP).
O diagnóstico financeiro foi apresentado pela assessoria contábil do Cisurg, que também propôs, além do débito automático, a adesão ao PIX automático mediante assinatura de termo de consentimento pelos municípios.
O presidente do Cisurg e prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, destacou que os prefeitos têm demonstrado empenho para regularizar as pendências e garantir a sustentabilidade financeira do serviço. Segundo ele, a expectativa é que a situação seja estabilizada até o fim do ano. “O objetivo é garantir estabilidade financeira ao SAMU e sustentabilidade ao consórcio. Temos um planejamento para sanar essas dívidas até o final do ano e, assim, assumir novos compromissos para melhorar ainda mais a qualidade e o tempo de resposta do atendimento”, afirmou.

O relatório de inadimplência mostrou que as pendências não são recentes. O documento reuniu débitos acumulados entre 2023 e 2025, além dos primeiros meses deste ano, somando mais de R$ 331 mil em pendências. O levantamento também apontou que alguns municípios ainda não assinaram o contrato de rateio, instrumento obrigatório para formalizar os repasses ao consórcio.
Em contrapartida, o diagnóstico destacou que grande parte dos consorciados tem mantido os pagamentos em dia e que vários municípios que estavam inadimplentes já quitaram suas pendências.

Atendimento do SAMU – Na parte operacional, o relatório analítico de desempenho referente a abril deste ano mostrou uma demanda intensa pelos serviços de urgência na região. A base de Itabira, a maior da rede, registrou 1.665 ligações no mês, com 732 saídas para atendimentos pré-hospitalares e 46 inter-hospitalares. A base de João Monlevade contabilizou 535 ligações e 209 deslocamentos de ambulâncias.
As outras bases — Guanhães, Barão de Cocais, São Domingos do Prata, Ferros, Rio Vermelho e Santa Bárbara — também apresentaram seus dados, assim como os municípios menores: Nova Era, Rio Piracicaba e Bom Jesus do Amparo. Em todas as localidades predominaram atendimentos de causas clínicas, com maior incidência em pacientes acima de 60 anos e do sexo masculino.
Durante a assembleia, também foram debatidos investimentos futuros. O Cisurg apresentou um projeto para implantação de novas bases descentralizadas do SAMU na região e informou que será realizado um levantamento de custos para encaminhamento da proposta à Secretaria de Estado de Saúde (SES) de Minas Gerais.
Segundo Marco Antônio Lage, a ampliação das bases é considerada estratégica para melhorar o tempo de resposta em municípios mais distantes das unidades atuais. “Há cidades em que o deslocamento pode chegar a uma hora e meia em estrada de terra. Vamos buscar, junto à Secretaria de Estado da Saúde, investimentos para ampliar as bases descentralizadas e melhorar o atendimento em municípios como Dom Joaquim, Carmésia, Santo Antônio do Rio Abaixo e São Sebastião do Rio Preto”, explicou o presidente do Cisurg.
O prefeito esclareceu que o modelo atual de custeio é proporcional à população de cada município, com contribuição média de R$ 1 por habitante. Ele defendeu ainda a responsabilização das administrações inadimplentes para evitar prejuízos aos municípios que mantêm os pagamentos em dia. “A maioria dos municípios está comprometida e precisa continuar recebendo esse serviço essencial de urgência e emergência. O estatuto prevê medidas judiciais para os casos em que os compromissos assinados não forem cumpridos”, alertou.
O próximo encontro deverá avaliar os resultados das medidas aprovadas, especialmente a adesão dos municípios ao débito automático.

Municípios presentes – Barão de Cocais, Bela Vista de Minas, Bom Jesus, Carmésia, Dom Joaquim, Dores de Guanhães, Ferros, Itabira, João Monlevade, Materlândia, Nova Era, Passabém, Rio Piracicaba, Santa Maria, São Domingos do Prata, São Gonçalo do Rio Abaixo e São Sebastião. Estavam ausentes: Catas Altas, Guanhães, Itambé, Morro do Pilar, Rio Vermelho, Sabinópolis, Santa Bárbara, Santo Antônio, Senhora do Porto e Virginópolis.
Fonte e fotos: Prefeitura de Itabira







