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ITABIRA

TRAJETÓRIAS NA LITERATURA – 6º Flitabira homenageia Conceição Evaristo, Maria Mazzarello e Leda Maria Martins

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Portal Fatos de Minas 22/10/2026 às 19:17 · atualizado 23/10 às 02:41 · 7 min de leitura
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6º Flitabira homenageia Conceição Evaristo, Maria Mazzarello e Leda Maria Martins

ITABIRA (MG) - O 6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira homenageia, em sua edição de 2026, três mulheres que transformaram a literatura, o mercado editorial e o pensamento afro-brasileiro, a escritora Conceição Evaristo, a editora Maria Mazzarello e a pesquisadora Leda Maria Martins. Com trajetórias marcadas pela valorização da cultura negra, pela afirmação de vozes historicamente marginalizadas e pela preservação da memória e da ancestralidade, elas integram a programação do festival, realizado de 29 de outubro a 1º de novembro, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e entorno, em Itabira (MG). Todas as atividades têm entrada gratuita, e as mesas e palestras são transmitidas ao vivo pelo YouTube (@flitabira), com recursos de acessibilidade.

As três homenageadas participam, no sábado, 31 de outubro, às 20h, da mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, com mediação de Afonso Borges. O encontro propõe uma reflexão sobre o papel da literatura, a circulação de obras de autoria negra e os desafios contemporâneos para a construção de uma sociedade mais plural e antirracista. A presença conjunta das três personalidades evidencia diferentes caminhos de contribuição para a cultura brasileira, incluindo a criação literária, a atuação editorial e a pesquisa sobre as expressões culturais afro-brasileiras.

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Conceição Evaristo - a força da escrevivência - Uma das principais escritoras brasileiras contemporâneas, Conceição Evaristo é romancista, poeta, contista e professora. Sua obra aborda experiências da população negra, especialmente das mulheres, articulando memória, identidade, pertencimento e resistência. Ao transformar vivências individuais e coletivas em matéria literária, a autora ampliou as possibilidades de representação da população negra na literatura brasileira.

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Seu conceito de “escrevivência” tornou-se uma referência para pensar a relação entre escrita, experiência e memória coletiva. Em seus livros, histórias pessoais e comunitárias ganham dimensão social e política, dando visibilidade a sujeitos e experiências historicamente afastados dos espaços de representação.

A relação de Conceição Evaristo com Itabira também ganhou um significado especial a partir de seu encontro com Dona Rosinha e Dona Tita, ambas do Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira, e que faleceram em junho de 2026, sendo as patronas do festival. Conceição Evaristo participa da mesa “Homenagem a Dona Rosinha e Dona Tita”, na sexta-feira, 30 de outubro, às 21h, com representantes das famílias e mediação de Sérgio Abranches. No sábado, integra a mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, ao lado de Maria Mazzarello e Leda Maria Martins.

Maria Mazzarello - uma editora dedicada à autoria negra - Fundadora da Mazza Edições, Maria Mazzarello é uma referência na história do mercado editorial brasileiro por ter criado, no início dos anos 1980, uma editora comprometida com a publicação de autores negros e com a ampliação da diversidade na literatura nacional.

Nascida em Ponte Nova (MG), em 1941, e radicada em Belo Horizonte desde 1954, Mazzarello formou-se em Contabilidade e chegou a ser aprovada no vestibular de Jornalismo da UFMG. Nos anos 1960, foi cofundadora da Editora do Professor e da Livraria do Estudante, ao lado de Ana Lúcia Campanha Batista, e participou da criação da Editora Vega.

No fim da década de 1970, após concluir um mestrado em editoração em Paris, voltou ao Brasil com o projeto de fundar uma editora dedicada à autoria negra. A Mazza Edições, que completou 45 anos em 2025, consolidou-se como um espaço de publicação e circulação de vozes historicamente sub-representadas no mercado editorial.

Sua trajetória foi registrada na biografia Maria Mazarello: Preto no Branco, Lutas e Livros (Contafios Editora, 2021), escrita pela jornalista Márcia Maria Cruz. A obra percorre sua infância em Ponte Nova e sua trajetória profissional, das experiências na Editora do Professor e na Vega à criação da Mazza Edições. Conceição Evaristo destaca a importância dessa iniciativa ao definir a editora como a “primeira editora em cuja origem está o compromisso de editar a autoria negra”.

No Flitabira, Maria Mazzarello participa da mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, no sábado, 31 de outubro, às 20h, ao lado de Conceição Evaristo e Leda Maria Martins, com mediação de Afonso Borges. O encontro coloca em pauta a importância da leitura, da diversidade editorial e da ampliação dos espaços de publicação e circulação da produção intelectual negra.

Leda Maria Martins - ancestralidade, oralidade e performance - Poeta, dramaturga, ensaísta, professora e pesquisadora, Leda Maria Martins desenvolve uma produção intelectual fundamental para os estudos da cultura negra, da ancestralidade, da oralidade, da memória e das performances dos corpos. Sua obra investiga formas de transmissão de conhecimento e matrizes culturais afro-brasileiras, estabelecendo diálogos entre literatura, teatro, performance, história e pensamento contemporâneo.

Ao pesquisar as manifestações culturais e os saberes transmitidos por meio dos corpos, dos ritos e das tradições, Leda contribui para ampliar a compreensão das formas de produção e preservação do conhecimento. Seu trabalho também questiona hierarquias que privilegiam a escrita como principal meio de registro, reconhecendo a potência da oralidade e das expressões performáticas na construção da memória coletiva.

A pesquisadora participa de duas mesas do festival. Na sexta-feira, 30 de outubro, às 19h, divide com Ricardo Aleixo o encontro “Corpo e Palavra”, com mediação de Natália Alves. No sábado, 31 de outubro, às 20h, retorna ao palco para a mesa “Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos”, com Conceição Evaristo e Maria Mazzarello, em conversa mediada por Afonso Borges.

“A Máquina do Mundo em Nós” - literatura e reflexão sobre o presente - Com o tema “A Máquina do Mundo em Nós”, o 6º Flitabira celebra os 75 anos de publicação de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, com destaque para o poema “A Máquina do Mundo”. A obra inspira uma programação que aborda questões como vida, memória, amor, morte, política, natureza e conhecimento, propondo diálogos entre a literatura e os desafios do mundo contemporâneo.

A curadoria do Flitabira é assinada por Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, com programação local de Sandra Duarte e Carolina Peixoto e curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli. A programação reúne escritores, intelectuais, pesquisadores e artistas brasileiros e internacionais, orientada por uma diretriz permanente de equilíbrio de gênero e diversidade racial.

Patrocinado pela Vale, via Lei Rouanet – Ministério da Cultura, o festival conta com apoio da Prefeitura de Itabira, da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e do Itaú. Alinhado aos princípios ESG (Ambiental, Social e Governança) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Flitabira também investe em acessibilidade, formação de leitores e valorização da produção cultural local.

Além das mesas literárias, a programação inclui prêmio de redação e desenho, Central de Autógrafos, livraria com mais de 5 mil títulos, exposição “Autocaricaturas de Drummond”, gastronomia, coreto musical, espaço para empreendedores locais e atividades voltadas a crianças e jovens.

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