MULHERES
REMETEM AO CORDÃO UMBILICAL
Polvos de crochê ajudam a acalmar bebês prematuros
22/04/2017 às 11:06:53
Tentáculos remetem ao cordão umbilical; crocheteiras voluntárias fazem e doam os bonecos.
Maternidade Curitiba passou a colocar polvos de crochês nas incubadoras dos recém-nascidos prematuros que estão internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. A iniciativa surgiu na Dinamarca e, de acordo com relatos médicos, tem efeito positivo na situação clínica dos bebês.
"É como se a criança pegasse no cordão umbilical, o que faz com que ela se sinta dentro do útero materno. Assim, acaba tendo menos consequências e indo embora mais certo", explica o médico Rubens Kliemann. Para ele, esse tipo de humanização do serviço é muito importante.
"Foi observado que os bebês ficaram mais calmos. Eles conseguiram respirar melhor, tiveram os batimentos cardíacos mais estáveis e puderam se recuperar de uma forma mais tranquila", complementa a coordenadora da UTI Neonatal, Ana Bruna Sales.
Segundo ela, os bebês se sentem muito mais seguros ao lado dos polvos de crochê.
 
Confecção
Em Curitiba, é o ateliê da designer gráfica Dani Dalledone que produz voluntariamente os polvos de crochê. Antes de ir para as incubadoras, eles são esterelizados.
"Vi na internet uma reportagem sobre o projeto na Dinamarca. Aí, uma conhecida teve um bebê prematuro em São Paulo e eu pensei que podia ajudar de alguma forma. Então, fiz o primeiro polvinho", relata.
Ela conta que, logo depois, começou a mobilização para implantar a iniciativa em Curitiba. "Estou recrutando todo mundo que conheço para fazer os polvos de crochê. Abri espaço no ateliê para ensinar quem quiser fazer parte do projeto", conta.
Todo o material utilizado pelas crocheteiras veio de doações; a mão-de-obra também é voluntária. Elizabete dos Santos faz parte do projeto e é a responsável por entrar em contato com os hospitais. "O pessoal tem se empolgado muito. Todos os hospitais querem", conta.
Ela relata ainda que a experiência de ter um bebê prematuro na família foi o que a incentivou a participar. "Meu sobrinho nasceu de quase sete meses e ficou na UTI por três meses e meio", lembra. Ainda de acordo com ela, foram dias difíceis.
"Eu me empolguei com o projeto porque vivenciei o dia a dia dele. Com os polvos, os bebês ficam mais calmos, tranquilos, acabam se distraindo", explica.
Assim como em Curitiba, hospitais de outras cidades do Paraná, como Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná; Londrina, no norte do estado; e também Guarapuava, na região central, também aderiram aos polvos de crochê.
Fonte: G1
 




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